Moto G5 Plus: fator de desequilíbrio

Smartphone da Lenovo tem câmera impecável e acerta em quase tudo, mas pecou no hardware

PRÓS

  • Bateria de boa duração
  • Câmera acima da média da categoria
  • Conexões de sobra: NFC, TV digital e dois chips

CONTRAS

  • Faltou uma versão com mais RAM
  • Lenovo precisa dar um jeito nessas bordas

Nem parece, mas o Moto G já chegou à quinta geração. Entre a primeira, que revolucionou o segmento de smartphones intermediários, e a atual, que subiu de nível para brigar com os celulares mais caros, muita coisa mudou. Por R$ 1.499, o Moto G5 Plus quer conquistar os usuários pela câmera e pelo design mais sofisticado. Será que ele consegue?

Com processador Snapdragon 625 e 2 GB de RAM, ele logo foi criticado no lançamento pelo hardware abaixo da média. Essa escolha da Lenovo interferiu no desempenho? A câmera é realmente a “mais avançada de sua categoria”, como promete a fabricante? E como ficou o leitor de impressões digitais com suporte a gestos? Eu conto tudo nos próximos minutos.

Design e tela

A Lenovo seguiu a tendência do mercado e melhorou o design no Moto G5 Plus, adotando um acabamento em metal e bordas chanfradas. É um belo avanço em relação ao Moto G4 Plus, um aparelho meio desengonçado e totalmente construído em plástico. A empresa também conseguiu dar um jeito no leitor de impressões digitais, tirando a moldura cromada que confundia o usuário ao se parecer, mas não se comportar, como um botão físico.

O sensor biométrico é um dos pontos mais bacanas do design: além de servir para desbloquear a tela, ele ganhou suporte a gestos. Basta ativar uma função no aplicativo Moto e pronto: volte à tela anterior deslizando para a esquerda, e abra a lista de aplicativos recentes deslizando para a direita. De quebra, isso faz a barra de botões virtuais do Android sumir, deixando mais espaço na tela para o que realmente importa.

A pegada está melhor que na geração anterior, mas não é tão boa quanto nos primeiros. As bordas grandes tornam o Moto G5 Plus mais largo do que deveria, o que dificulta a utilização com uma mão. Com tela de 5,2 polegadas, ele poderia ser bem mais compacto que 74 mm de largura — a LG conseguiu colocar 5,7 polegadas em 71,9 mm no G6, enquanto o Galaxy S8+ veio com 6,2 polegadas em 73,4 mm. Também desagrada o calombo na traseira, que não existe no G5 normal e faz o celular sambar na mesa.

Outro ponto a ser levantado é a insistência no conector Micro USB. Segundo a Lenovo, o comprador de Moto G ainda tem um “ecossistema” de cabos e acessórios baseados no padrão antigo, mas a verdade é que as outras fabricantes já estão apostando fortemente em USB-C mesmo em intermediários mais básicos, caso da Asus e Samsung. Em um período de transição que começou há bastante tempo, me parece mais lógico migrar para o padrão novo (e fornecer um adaptador) do que atrasar a evolução.

A tela IPS LCD de 5,2 polegadas com resolução de 1920×1080 pixels continua no padrão do Moto G, entregando boa definição, cores equilibradas (no modo de cor Padrão) e brilho forte, dentro do que esperamos para a categoria. Mas eu confesso que senti falta de um contraste melhor — o que poderia ser resolvido com a adoção de um painel AMOLED, cada vez mais comum na categoria.

Software

Pouca coisa mudou no software da Lenovo, mas a empresa claramente tem feito mais concessões com relação à proposta de “Android puro”: o Moto G5 Plus vem com um widget personalizado de previsão do tempo na tela inicial, um estranho degradê no Moto Tela, além de um aplicativo de papéis de parede. A regra, no entanto, continua sendo a de interferir pouco no sistema operacional do Google.

Os diferenciais permanecem no aplicativo Moto, onde é possível ativar os atalhos do sensor biométrico e configurar os vários gestos de movimento para ativar determinadas funções — agitar duas vezes para ligar a lanterna, fazer um movimento de acelerar uma moto para abrir a câmera, deixar a tela virada para baixo para silenciar notificações, e por aí vai.

Desta vez, a Lenovo decidiu colocar a TV digital na versão mais cara. O esquema é o mesmo das gerações anteriores: você precisa colocar uma antena na entrada de 3,5 mm (que pode ser o próprio fone de ouvido ou um simples “rabicho” incluso na caixa) e assiste aos canais em HD onde houver sinal forte. O aplicativo mostra a grade de programação dos canais e permite gravar os programas. É um recurso bacana para não depender da conexão móvel se você quiser assistir a um programa ao vivo na TV aberta.

A minha crítica continua sendo a falta de atenção nas atualizações de segurança. Estamos em abril, e o Moto G5 Plus ainda traz o patch de segurança de janeiro, o que é ruim principalmente para quem construiu uma imagem de liberar atualizações de forma rápida. Mesmo Asus e Samsung, que são frequentemente criticadas por demorarem para liberar novas versões do Android, tem sido mais competentes que a Lenovo para manter seus aparelhos seguros.

Câmera

Se eu dissesse em 2013 que o Moto G teria uma câmera realmente boa, você não acreditaria, mas isso é verdade no Moto G5 Plus. O sensor de 12 megapixels com foco por detecção de fase e a lente com abertura de f/1,7 de fato entregam bons resultados. As fotos são detalhadas, têm bom alcance dinâmico e não apresentam ruídos mesmo em condições mais difíceis.

Durante o dia, o Moto G5 Plus entrega fotos com cores equilibradas, sem exagerar na saturação, e um ótimo nível de detalhes. O filtro de sharpening não é agressivo e deixa as imagens com um aspecto natural. O pós-processamento da Lenovo também consegue ressaltar bonitos degradês no céu e bons verdes no solo.

Em ambientes internos ou à noite, é possível notar uma suavização maior para esconder os ruídos, mas a definição não é prejudicada e as cores não perdem saturação, como aconteceria em uma câmera mais barata. A velocidade do obturador continua rápida, provavelmente ajudado pela lente com abertura generosa, o que ajuda a evitar fotos tremidas.

As fotos da câmera frontal de 5 megapixels também não decepcionam, mas aqui temos resultados mais “normais”, dentro do que se espera de um intermediário premium. Por padrão, o software aplica um efeito de embelezamento de rosto, mas é possível desativá-lo para obter uma selfie com definição melhor.

O Moto G5 Plus tem uma câmera traseira que eu esperaria em um smartphone de 2 ou 3 mil reais, mas ela está presente em um aparelho de R$ 1.499, o que é um baita ponto positivo.

Hardware e bateria

Lembra quando o Moto G tinha câmera ruim e hardware bom? No Moto G5 Plus, a Lenovo inverteu essa equação, colocando uma câmera boa e um hardware, no mínimo, decepcionante. O processador octa-core Snapdragon 625 é o mesmo que equipa o Moto Z Play e outros intermediários premium, tendo se mostrado competente e econômico, mas os 2 GB de RAM definitivamente são um gargalo.

Na maior parte do tempo, o Moto G5 Plus entrega um bom desempenho, alternando rapidamente entre os aplicativos e abrindo jogos sem demorar. Mas, em determinados momentos do dia, eu senti os ícones da tela inicial recarregando, um aplicativo demorando para abrir e o Chrome apresentando travadinhas incômodas. E a culpada é claramente a RAM; a utilização de memória fica entre 80% e 95% durante todo o dia.

Do ponto de vista comercial, faz sentido que ele tenha apenas uma versão com 2 GB de RAM no Brasil, até porque o produto imediatamente superior é o Moto Z Play — e ele tem uma câmera inferior ao do caçula. A não ser que você faça muita questão dos módulos ou da bateria adicional, não faria mais sentido comprar um Moto Z Play se existisse um Moto G5 Plus com 3 ou 4 GB de RAM, como lá fora. Ainda assim, eu fico com uma pontinha de decepção ao ver que a vida útil do aparelho foi tão encurtada.

Pelo menos a bateria não decepciona. Todos os aparelhos com Snapdragon 625 se mostraram bem econômicos até agora, e o Moto G5 Plus segue a linha. Nos meus dias de teste, tirando o smartphone da tomada às 9h, e utilizando 2h de streaming de música no 4G e 1h30min de navegação no 4G, com brilho no automático, eu consegui chegar até o final do dia (por volta de 22h ou 23h) com níveis entre 35% e 45% de bateria.

É uma bateria que deverá ser suficiente para aguentar um dia inteiro para a maioria das pessoas. Se não aguentar, o carregador rápido de 15 watts faz um bom trabalho em enchê-la rapidamente, com uma carga completa demorando menos de duas horas.

Conclusão

Eu analisei todas as gerações do Moto G até agora, desde 2013. E a conclusão do review do Moto G5 Plus é bem diferente das outras: ele não é bom para quase todo mundo, nem possui um dos melhores custo-benefício da categoria. O smartphone da Lenovo tinha tudo para ser o melhor entre os intermediários, trazendo uma das melhores câmeras do mercado, um design que agrada e uma bateria que dura bem.

Mas ele tem um fator de desequilíbrio, que é o hardware. O processador é competente, mas os 2 GB de RAM são um limitador que já mostra sinais de cansaço com utilização mais intensa, apresentando pequenos engasgos no multitarefa (e nem estou falando de jogos). Praticamente todos os concorrentes da mesma faixa de preço têm 3 ou 4 GB de RAM, caso do Zenfone 3 ou Galaxy J7 Prime.

A verdade é que 2 GB de RAM é o novo 1 GB de RAM, e os aplicativos estão ficando cada vez mais pesados. Se o Moto G5 Plus já apresenta engasgos hoje, a situação daqui a um ou dois anos não será melhor. A Lenovo poderia, pelo menos, oferecer ao consumidor brasileiro uma versão com 3 ou 4 GB de RAM, ainda que ligeiramente mais cara, como acontece em outros países.

O Moto G5 Plus pode ser uma opção interessante para quem procura uma câmera boa para fotos e se satisfaz com um desempenho ok. Mas quem pretende ficar mais tempo com o mesmo smartphone deve pesquisar outras opções.

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ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS

  • Bateria: 3.000 mAh;
  • Câmera: 12 megapixels (traseira) e 5 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11n, GPS, GLONASS, Bluetooth 4.2, USB 2.0, rádio FM, TV digital, NFC;
  • Dimensões: 150,2 x 74 x 9,7 mm;
  • GPU: Adreno 506;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 128 GB;
  • Memória interna: 32 GB;
  • Memória RAM: 2 GB;
  • Peso: 155 gramas;
  • Plataforma: Android 7.0 Nougat;
  • Processador: octa-core Snapdragon 625 de 2,0 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, giroscópio, sensor de impressões digitais;
  • Tela: IPS LCD de 5,2 polegadas com resolução de 1920×1080 pixels.

Link referência: https://tecnoblog.net/212306/moto-g5-plus-review/

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